Música

DEAD PRESIDENTS

Jay-Z relança a versão original do single de 1996

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Parteum

Eis a fita original de Dead Presidents. DP II (c/ outros versos) é a que foi para o álbum. Nessa, de saída, Jay-Z tira sarro de quem parece estar fazendo música para estar na TV… Wonderama foi uma espécie de Globo de Ouro (o programa da Globo dos anos 80, não a premiação do entretenimento americano) voltado para o público infanto-juvenil. O artista de rap, talvez pela verborragia, é quase sempre controverso. Três verões depois de ter falado isso na rima, lá estava Jay-Z numa banheira, fumando charuto, ao menos cinco vezes ao dia, no clipe de dona Mariah Carey, na MTV de lá. A convenção das oito, doze ou dezesseis barras de rima num single de R&B faz parte da cultura desde antes de “Feels Good” do Tony! Toni! Toné! Há quem diga que a fórmula foi subvertida quando rappers passaram a lançar singles radiofônicos com refrões cantados. É tudo música preta. É imperativo criar e ter algum domínio sobre a criação. O single foi lançado em fevereiro de 1996, mas só comprei em maio. A fita da foto veio direto da gôndola de promoções da Tower Records da Sepulveda (US$0,69). O CD, um dos poucos que eu emprestei para alguém e não voltou, comprei do outro lado da rua, na Wherehouse Music.  Nessa época, Jay-Z ainda não era artista licenciado da Def Jam.

A Freeze/Roc-A-Fella tinha um contrato de distribuição com a Priority Records. Como a Freeze saiu da jogada e o império de Biggs, Damon Dash e Sr. Carter começa, tem paralelo com o fato de Nas ser dono de boa parte do publishing dessa canção, via MC Serch (3rd Bass). Tudo volta pra alguma forma de domínio da criação, num gênero musical (?) que fala tanto de números, KPIs, ROI, estratégias de marketing, alcance e etc. Ou se fala sobre o que não fazer quando o sucesso chega, ou como algum outro artista poderia dar a volta por cima. Há uma conversa interminável sobre o destino da cultura. É possível construir esse prédio e, simultaneamente, produzir crítica social potente, sugerir brilho pra festas e exaltar ancestrais. Tudo junto. E viva (também) o sample de Lonnie Liston Smith. E a produção do Ski (do grupo Original Flavor –– que deu uma chance para um certo novato do Brooklyn em Can I Get Open).

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Publicado em
26.2.2026
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